Os acidentes por esmagamento representam uma das principais causas de lesões graves no setor industrial. Nos ambientes manufatureiros, onde os operadores interagem todos os dias com maquinaria e robôs, a correta implementação das distâncias de segurança adequadas é imprescindível para prevenir sanções e acidentes potencialmente graves.
O Contexto Normativo
A Norma EN ISO 13854 indica os «espaços mínimos para evitar o esmagamento de partes do corpo» durante a utilização de maquinaria. Aplica-se exclusivamente aos riscos derivados de perigos de esmagamento e não a outros possíveis perigos como impacto, cisalhamento ou arrastamento.
Espaços Mínimos de Segurança: uma Abordagem em 4 fases
Esta Norma de tipo B1, que substituiu definitivamente a anterior EN 349:1993+A1:2008, integra-se com outros Padrões como a EN ISO 12100 sobre Avaliação de Riscos e a EN ISO 13857 sobre distâncias de segurança. Juntas, definem uma estratégia iterativa em várias fases para determinar os espaços mínimos de segurança para operadores em áreas industriais.
1. Identificação dos Perigos de Esmagamento
A EN ISO 13854 define como “zona de esmagamento” uma área na qual o corpo humano ou partes do mesmo estão expostas a riscos gerados por duas partes móveis que se movem uma em direção à outra ou por uma parte móvel que se move em direção a uma parte fixa.
Segundo esta definição, os projetistas e fabricantes de maquinaria devem identificar preventivamente quais partes da instalação, em fase de Avaliação de Riscos, representam zonas com perigo de esmagamento.
Operando no setor, alguns destes exemplos poderão ser-lhes familiares:
- Prensas e Estampadoras: o ponto de convergência entre molde e matriz, considerando tanto o movimento vertical quanto a pressão aplicada
- Esteiras Transportadoras: os pontos de transferência onde os rolos de retorno ou os pontos de junção podem gerar esmagamento
- Sistemas Robotizados: os espaços de movimento dos eixos, incluídas as zonas de potencial interferência entre partes móveis e estruturas circundantes
- Instalações de Embalagem: os mecanismos de fechamento, selagem e movimentação onde múltiplos componentes interagem simultaneamente
- Máquinas-Ferramenta: os pontos de interseção entre ferramentas em movimento e componentes fixos, incluídos os sistemas de troca de ferramenta
Obviamente, cada uma destas casuísticas merece considerações únicas e deve ser analisada segundo as características específicas da máquina, como a velocidade dos componentes móveis, as forças em jogo e a frequência de acesso do operador.
2. Avaliação dos Riscos Associados
Um erro comum em fase de Avaliação de Riscos é considerar apenas as zonas com perigos de esmagamento antes de determinar os espaços mínimos de segurança.
O processo descrito na EN ISO 12100 impõe considerar uma série de fatores adicionais por vezes pouco conhecidos, tais como:
- Avaliação Multi-parte: se for previsível que o risco de esmagamento possa envolver diferentes partes do corpo, deve-se aplicar o espaço mínimo relativo à parte maior entre estas
- Comportamentos imprevisíveis de operadores e suas dimensões corporais
- Vestuário de Proteção espesso ou volumoso (por exemplo os Equipamentos de Proteção Individual para soldagem ou para temperaturas extremas) e ferramentas necessárias para as operações
- Calçado de segurança que aumenta a dimensão efetiva do pé
3. Aplicação dos Espaços Mínimos de Segurança
Uma vez considerados estes aspetos, é possível proceder a determinar os espaços mínimos necessários para proteger as diferentes partes do corpo. A Norma EN ISO 13854 fornece valores precisos, calculados segundo valores antropométricos de referência, que variam de poucos milímetros para as partes menores (como um dedo) até vários centímetros para as maiores (o corpo de uma pessoa).
Estes parâmetros devem ser considerados já em fase de projeto das máquinas: modificações estruturais posteriores para garantir os espaços mínimos requeridos podem resultar complexas e onerosas.
4. Utilização das estruturas de Proteção
Quando não for possível, por razões técnicas ou de projeto, respeitar os valores indicados pela Norma 13854, aplica-se a Norma EN ISO 12100. Esta requer a adoção de «ulteriores ou outras medidas e/ou meios adicionais», entre os quais as Proteções Perimetrais, ou Resguardos Industriais.
A eficácia dos Resguardos depende de quatro parâmetros fundamentais:
• O espaço a entre a parte fixa e a parte em movimento
• A profundidade b da zona de esmagamento
• As dimensões c da abertura na estrutura de proteção
• A distância d entre o resguardo e a zona de esmagamento
Neste caso, as distâncias de segurança para impedir o alcance de zonas perigosas são determinadas segundo a Norma EN ISO 13857.
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EN ISO 13854 - Perguntas mais frequentes
1. Aspetos Normativos
Quando é obrigatório aplicar a EN ISO 13854?
A Norma aplica-se quando, após a Avaliação do Risco, foram identificadas partes móveis capazes de criar zonas de esmagamento, ou seja, áreas nas quais o corpo humano ou suas partes podem estar expostas a riscos gerados por:
• Duas partes móveis que se movem uma em direção à outra
• Uma parte móvel que se move em direção a uma parte fixa
Como se integra a EN ISO 13854 com as demais Normas de segurança?
A EN ISO 13854 é uma Norma de tipo B1 que se integra com a EN ISO 12100 sobre Avaliação de Riscos e a EN ISO 13857 sobre distâncias de segurança. Juntas, estas Normas definem uma estratégia iterativa de segurança para a proteção dos operadores.
Quais são as diferenças entre a EN ISO 13854 e a EN ISO 13857?
A EN ISO 13854 e a EN ISO 13857 têm propósitos diferentes mas complementares:
• A primeira define os espaços mínimos necessários para evitar o esmagamento de partes do corpo entre partes em movimento da máquina. Aplica-se quando se projeta a máquina mesma e seus componentes móveis.
• A segunda estabelece as distâncias de segurança a respeitar quando se instalam as Barreiras Industriais (Proteções Perimetrais ou Resguardos) para impedir o alcance de zonas perigosas.
2. Aplicações Práticas
Como se aplica a EN ISO 13854 quando o risco de esmagamento envolve mais partes do corpo?
Neste caso, deve-se aplicar o espaço mínimo relativo à parte do corpo maior entre as potencialmente expostas ao risco. Por exemplo, se uma zona poderia envolver tanto a mão quanto o braço, dever-se-á considerar o espaço mínimo previsto para o braço.
Como influenciam os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) nos espaços mínimos de segurança segundo a Norma EN ISO 13854?
A Norma EN ISO 13854 requer considerar o possível uso de vestuário de proteção espesso ou volumoso e calçado de segurança, que aumentariam as dimensões efetivas das partes do corpo expostas ao perigo. Este aspeto deve ser avaliado cuidadosamente na determinação dos espaços mínimos de Segurança.
Como gerir a segurança das máquinas industriais quando os Equipamentos de Proteção Individual obrigatórios reduzem os espaços de acesso abaixo dos valores mínimos previstos pelas normas técnicas?
Quando os EPI (por exemplo luvas espessas ou calçado de segurança) reduzem os espaços de acesso abaixo dos mínimos de segurança previstos pelas normas técnicas, é necessário documentar esta criticidade no dossiê técnico e implementar Proteções alternativas.
Que parâmetros de segurança devem ser avaliados na instalação de Proteções Perimetrais para prevenir o acesso a zonas perigosas de maquinaria industrial?
A instalação de Proteções Perimetrais em torno de maquinaria industrial requer uma atenta avaliação de quatro parâmetros fundamentais: o espaço entre partes fixas e móveis da máquina, a profundidade da zona perigosa, as dimensões das aberturas nas proteções (como redes ou grades) e a distância entre a proteção e a zona de perigo.
Para determinar as corretas distâncias de segurança em relação às aberturas nas Proteções Perimetrais, é necessário fazer referência à Norma EN ISO 13857.





